Desobediência civil parte 2: Como praticar?

Não precisa ser público, nem ir preso, explodir viatura da PM, atear fogo em ônibus, bloquear rodovias nem fazer live atirando a esmo pro alto e principalmente a desobediência civil não precisa ser violenta.

Desobediência civil é uma ferramenta pacífica para manifestar o seu repúdio a uma lei que fere e/ou ameaça, no sentido metafísico da palavra, sua consciência.

É um limite que o indivíduo tem para si quando algo é um objetor de sua consciência, ou seja, quando algo caminha na contra mão de seus valores morais mais íntimos, colocando-o em um dilema pois o resultado só o levará a um caminho: o de obedecer um lado e ser um traidor de outro, como na medicina onde atos desejados quebram o juramento do médico ou em religiões, onde leis forçam fiéis a irem contra suas crenças. É o limite tomado para si perante a obediência cega, que conduz o indivíduo ao fanatismo.

“Ordem absurda não se cumpre.”

Antes de continuar, é necessário registrar e alertar que nada do que fazemos fica isento de consequências. Muitas vezes sanções são desencadeadas e a decisão de fazer é sempre do indivíduo.

A Liberdade é a filha mais nova da Responsabilidade com o Risco.

Sonhadora, corajosa e energética, deve ser sempre guiada pela calmaria e sensatez de sua mãe e orientada pelos cálculos frios e analíticos de seu pai. Guiada e orientada, não controlada.

Saindo da analogia e trazendo para nós, sua vida deve ser decidida por você próprio, não por terceiros. Incentivos, elevação de moral, inspirações e reconhecimentos, via de regra sempre são bem vindos, assim como os alertas de perigo e lembretes de responsabilidades. Conhecimento não é crime, e jamais poderá ser.

Esses absurdos de que a desobediência civil precisa ser feita em público para estimular outras pessoas, como se estivéssemos fazendo um comício em um palanque, ou um show em vias públicas para todos os transeuntes assistirem, que precisa divulgar o ato ao vivo pelos aplicativos de internet, do contrário não conta.

Esquerdosos e lambe-botas, dois opostos que se atraem pela própria natureza de seus perfis e mentalidades degeneradas e covardes, comumente distorcem o uso desta poderosa ferramenta e pela ignorância sobre o assunto e falta de hombridade em questionar de forma séria, levam sempre encaram o assunto com mentiras, sarcasmos e escárnios.

A curiosidade é que nenhum autor do tema ou praticante historicamente conhecido colocou em suas obras ou registrou em seus atos o requisito desses absurdos para legitimar o uso da ferramenta desobediência civil. Todos sabiam que era uma possibilidade, uma consequência, mas não um requisito.

Esses falsos requisitos inventados sob a embriaguez da falta de atenção e produtividade em suas vidas, são grotescamente incoerentes com a literatura existente de seus idealizadores e exemplos de seus praticantes. A boa notícia é sempre foram e continuam sendo propagados por infelizes e minúsculos detentores de conhecimento simbólico e insuficiência social de diálogo e trabalho mútuo, que não possuem nem a leitura básica sobre o assunto, mas acreditam que tem alguma capacidade intelectual de debatê-los, ou alguma moral para julgar os simpatizantes do uso desta ferramenta.

E como se não bastasse a falta de conhecimento mesmo que básico sobre o conceito, ele ainda é divulgado por estes espíritos sem luz como sinônimo de guerra civil ou conflito armado em massa, internacionalmente e popularmente conhecido como “Boogaloo”. Este será um tema abordado em outro artigo, porém, deixo de imediato o jargão:

“Todo Boogaloo tem desobediência civil, mas nem toda desobediência civil tem Boogaloo”.

Ir a público para gerar exemplo tem outro termo, se chama resistência não violenta. É um conjunto de práticas onde um grupo social utiliza-se da manifestação pública contrária a determinadas leis para gerar comoção do restante da comunidade civil, atraindo atenção para si e para determinada causa. A depender do cenário, manifestações deste tipo podem ser consideradas, de alguma forma, clandestinas, podem ser marginalizadas pelo poder vigente e acabam agregando ao ato, automática e naturalmente, a característica de desobediência. Os sabichões lambe-botas até agora não usaram este termo. Irônico vindo de quem sabe tanto.

Portanto, não caia em armadilhas de colocar a vida de terceiros em risco, como já foi mencionado por três “youtubers” infelizes que de forma pública, em aplicativos de conversa, que só acreditaria se um tiro fosse disparado em público, para o alto, para abrir uma lata de cerveja. Ou então outro que acredita que somente é desobediência civil se andar com uma arma fria, sem porte, de modo que todos possam ver fazendo uma live mostrando a arma e chamando a Polícia Militar pra vir pegar ele, como se a Polícia Militar não tivesse problemas mais sérios para lidar. Colocar um fuzil nas costas e sair com roupa camuflada na rua sozinho gritando igual maluco ou absolutamente do nada, colocar explosivos numa viatura policial e explodir apenas para provar que não segue lei são outros grandes exemplos.

Tudo isso apenas para provar que você desobedece uma lei injusta. Essas pessoas infelizes querem que você coloque sua vida em risco, a vida de terceiros em risco, que provoque agentes de segurança pública e até consideram matá-los somente para provar o uso de um termo que eles mesmos inventaram. Isso não é desobediência civil, isso é loucura, burrice e mau caratismo. Os dois primeiros dispensam explicações, o mau caratismo é devido a pessoa ter condições de procurar saber que está errando nos conceitos, mas mesmo assim não o faz, não busca se corrigir, se melhorar, e ignora sorrateiramente um detalhe que faz toda a diferença de um fora da lei para um bandido: a pessoa que pratica desobediência civil o faz justamente para fins defensivos e justos.

No caso das armas, para se defender e proteger sua vida perante uma lei que a impede de fazer isso, ou seja, uma lei injusta.

Se soubessem ao menos o básico, que pode ser encontrado e absorvido rapidamente mesmo sem acesso a inúmeros materiais didáticos, utilizando uma rápida pesquisa sobre Henry Thoreau, que praticou a desobediência civil dissimuladamente, ou seja, sem ser em público, sem exposição alguma, praticamente um “greyman”, durante 6 anos até ser descoberto e preso, que é uma consequência do uso desta ferramenta, não um requisito. Isso significa que ao usá-la, você não precisa ir preso, mas tenha em mente que é algo que pode acontecer. Caso aconteça, toda uma cadeia de reações será iniciada, como gastos com honorários de advogados, prejuízos profissionais, desgaste emocional e físico, e uma série de eventos que dificilmente poderão ser elencados de imediato, sem conhecimento específico de cada caso.

Existem outros heróicos exemplos de desobediência civil, que também não foram citados até agora por esses desonestos inteletctuais e imbecis mascarados, já que pregam antipatia pela idéia e usam a todo momento frases históricas e bandeiras que representam justamente a desobediência civil, o que me faz lembrar que são mongolóides ao ponto de usarem algo que nem sabem o que é, ou muito mal intencionados por usarem para angariar seguidores e manobrar massas de simpatizantes, que provavelmente também não sabem o que são esses símbolos, pois se soubessem já teriam pego a contradição logo de imediato.

Esses demais exemplos são Irena Sendler, que passou mais de 1 ano praticando desobediência civil – desobedecendo leis nazistas – ao colocar crianças em malas e em caminhões de lixo para que saíssem e ficassem posteriormente salvas. Já ouviu esse nome sendo citado?

Ela fez sem nenhum alarde, exposição, muito menos saiu gritando na rua chamando os policiais da época para provar que fazia. Mais uma vez, a pessoa que diz que desobediência civil precisa ser feita em público e com alarde não sabe o que significa o conceito, a real e correta necessidade de sua aplicação e quer que você, simpatizante, sirva de bode expiatório para dizer logo depois “viu? eu falei que isso não funciona, eu tenho razão”. Essas pessoas não tem capital político nem produtividade própria, logo, elas seriam premiadas com você, cidadão, sendo preso por porte ilegal de arma de fogo por exemplo. Teriam assunto para meses e meses, e ainda teriam um exemplo para ser citado pelo resto de suas vidas e produções pobres. Essa técnica é denominada “surfar no caixão”.

Graças a desobediência de Irene, 2500 crianças foram salvas da morte.

Obrigado, Irene.

Oskar Schindler é outro grande exemplo de desobediência. Esse é mais conhecido mesmo que não tenha sido citado até agora, mas já ganhou até filme. A história deste herói se passa junto com Irene, no mesmo cenário, a Alemanha Nazista. Dispensarei a apresentação, deixando com o leitor a tarefa de pesquisar por conta própria. Aproveite e pesquise como Marthin Luther King atuava, usando várias ferramentas, alternando entre a desobediência civil, a resistência não violenta, as diretrizes greyman, os conselhos de bairro, a panfletagem, o conceito de multiplicador (onde uma pessoa leva a sua pauta para outras duas ou mais e assim por diante) e até mesmo se comportando com exposição, mostrando que não será uma vítima fácil, que lutará até o fim, ou seja, as diretrizes hard target (já que greyman não é a única que existe). Uma curiosidade é perguntar a si mesmo se todas as pessoas que caminhavam com M.L. King nas ruas e que não foram presas podem receber o julgamento de “não praticou desobediência!”.

Outro exemplo: Procure nos livros de história como o seu país, isso mesmo, como o Brasil, conquistou a independência. Se as leis permitiam que Dom Pedro fizesse o que fez.

Um último e lendário exemplo de desobediência civil, que após décadas sem violência, enquanto “as vias democráticas” eram tentadas e repetidamente falhavam, acabou levando a conflitos armados em massa, com destaque para o período entre 1765 e 1776, (sem contar a “2ª Guerra de Independência que ocorreu em 1812),  conhecido como Guerra Revolucionária Americana, conflito que fundou o país Estados Unidos da América. Um ponto interessante que hoje em dia o termo revolucionário virou sinônimo de esquerdista, comunista, bandido. Para essas pessoas, os Pais Fundadores como George Washington, Benjamin Fraklin, Thomas Jefferson, John Dickinson e os demais, são comunistas. Se o governo vigente é vermelho, quem se rebela é revolucionário. Imagine a vergonha desse argumento feito por um brasileiro em uma conversa com um norte americano defensor da 2A.

“When tirranny becomes law, rebelion becomes duty”
(Quando a tirania se torna lei, rebelião se torna dever)

 

Join or Die Political Cartoon | The American History Wiki | Fandom

Join or Die Political Cartoon | The American History Wiki | Fandom

 

Então a esta altura já é possível saber como praticar a desobediência civil. Basta desobedecer uma lei. Ou várias. Existe a forma como será praticada, existe o objetivo que se deseja com sua prática e existem as consequências.

A forma como fará isso terá impacto em sua vida e na sociedade, é preciso ficar atento a isso pois se o objetivo é apenas não ser controlado por leis injustas criada por corruptos, siga seu caminho sem alarde, sem atrair atenção. Se o seu objetivo é incentivar outras pessoas a aderirem, levar o conceito a mais pessoas, fomentar a liberdade, os atos públicos, ou seja, o caminho inverso do silêncio, possuem maior eficiência. Outro alerta: se seu objetivo é chamar atenção de cidadãos, você também chamará atenção de bandidos, especialmente os estatais.

Você praticará desobediência civil contra o poder vigente que geralmente é o Estado, mas pode ser um grupo social dominante com suas próprias leis locais.

As consequências variam e são de acordo com a intensidade em que praticou a desobediência. Uma multa, cadeia, ou seu nome escrito na história: e não se engane, isso significa morrer.

Em algum momento de nossa história, perante a tirania, homens livres desobedeceram as leis por tempo suficiente para se preparem o dia do Boogaloo. Este tema será explorado em outro artigo com mais material didático.

Quando este dia chegou, eles foram chamados de traidores, ladrões, assassinos, traficantes. Nós devemos nossa liberdade a eles.  

 

“O rumo da história sempre foi decidido, para o bem ou para o mal, por minorias dispostas.” Dave Grossman

“Três homens treinados mas que não conhecem jamais lutarão contra um leão com a mesma intensidade que três homens despreparados mas com forte ligação entre si.” Ardant Du Pic

 

“Independência ou morte.”

 

 

 

 

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