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Velocidade de Detonação

Este é o nome dado a medida de velocidade que um explosivo causa no ar, ou seja, na onda de choque, ao ser detonado. Essa medida é usada como referência na utilização e identificação das características de explosivos, como sua potência, para fins minerais, acadêmicos e militares. Em regra, quanto maior sua velocidade de detonação, mais forte é o explosivo. Essa velocidade é medida em metros por segundo, mas há medições que são feitas em fps (pés por segundo).

Explosivos são divididos em “Low explosives” e “High explosives”, onde qualquer item que tenha velocidade de detonação igual ou menor que 2500m/s é considerado “Low”, os demais ficam na categoria de “High”. Em tradução livre, poderíamos dizer que seria algo como “Explosivos lentos” e “Explosivos rápidos”.

Um alerta ao leitor, muito importante deixar registrado, é que poderia ser traduzido como “fraco” e “forte”, porém, isso passaria uma idéia errada sobre o perigo desse material, onde explosivos que tenham velocidade de detonação inferior a 2500m/s, mesmo que sejam considerados “Low explosives” ou “Explosivos lentos”, não significa que sejam fracos, pois uma onda de choque nessa velocidade não é nem um pouco algo a ser considerado fraco pelo estrago que causará no material que entrar em contato (impacto). Caso algum blaster ou operador anti-bomba tenha uma sugestão de como podemos traduzir essa categorização, por favor, nos ajude. Agradeço antecipadamente.

Retornando. Existem muito mais características e categorias que organizam as classificações dos explosivos para tratar do assunto, como diferenças entre  detonação e deflagração, degradê de pressão, instabilidade, acionamento, enfim, o assunto é bem amplo e interessante principalmente para o profissional que utiliza este tipo de material, chamado de “blaster” no campo da mineração e no campo militar, um operador do popularmente conhecido como “esquadrão anti-bombas”. Como o objetivo deste artigo é apenas apresentar o tema, não formar nenhum dos dois profissionais acima, conhecer o básico já é suficiente.

Essa velocidade de detonação, esse fenômeno pneumático de expansão de gases, também pode ser observado em nossas armas de fogo, quando o produto conhecido como pólvora, dentro do estojo da munição, sofre ignição (iniciado pelo acionamento mecânico) e começa a liberar gases que naturalmente, pelas regras da pneumática, serão expandidos e tendem a procurar um ponto de escape, que é a desconexão do projétil do conjunto, que será empurrado pela pressão desses gases caminhando pelo percurso dentro do ambiente confinado (cano) até sua completa liberação (disparo).

Por curiosidade e enriquecimento do artigo “O que é IED/HME?” (https://defesa.org/dwp/o-que-e-ied-hme/), serão listadas algumas velocidades de detonação de explosivos mundial e historicamente conhecidos, e para termos uma idéia genérica de sua força, foi calculado também, o tempo em que algum objeto com essa velocidade aplicada em si, levaria para dar uma volta completa no planeta Terra ou que levaria para chegar até a Lua, obviamente este hipotético objeto navegando na mesma velocidade de detonação do explosivo citado, deveria seguir seu caminho sem nenhum tipo de resistência que naturalmente ocasionaria em sua desaceleração.

Um adendo: Não é somente a velocidade de detonação que oferece riscos, apesar de ser a principal característica dos explosivos. Outros fatores são importantes na pesquisa de reações em cadeia, armazenamento, manipulação e mitigação de acidentes e danos, como por exemplo, se na composição ou a própria natureza deste explosivo há outros elementos que possam causar prejuízos e perigos, a curto ou longo prazo, como pregos em IED’s ou radiação em dispositivos nucleares. A temperatura também é um fator importante, pois uma onda de choque, ou seja, um “vento” de 1000m/s entrando em contato com algum material orgânico, como a carne do seu corpo, ou material inorgânico, como metais, terá um determinado efeito danoso, causará um determinado tipo de dano. Este mesmo “vento”, nesta mesma velocidade, em uma temperatura elevada, como por exemplo beirando os 4000ºC, causará um efeito danoso diferente de uma onda de choque de 500ºC, mesmo que tenha a mesma velocidade. Dependendo do material que receberá o impacto desta onda de choque, não fará diferença, mas temos que nos atentar que há outros materiais que serão deformados de formas distintas entre uma onda de choque em baixa temperatura, e outra em alta.

Vamos as medições. Foram consideradas apenas explosões oriundas de fabricações humanas e as seguintes distâncias:

Distância da Terra até a Lua: 384.403 km

Uma volta completa na Terra: 12.742 km

Pólvora “smokeless” (usada em armas de fogo): 630 m/s

Distância da Terra até a Lua: 169h (+- 7 dias) 29min 24s

Uma volta completa na Terra: 5h 37min 05s

 

 Fogos de artíficio comuns: 700 m/s

Distância da Terra até a Lua: 152h (+- 6,3 dias), 32min 28s

Uma volta completa na Terra: 5h 03min 23s


Fogos de artifício “M80”: 850 m/s

Distância da Terra até a Lua: 125h (+- 5,2 dias), 37min 19s

Uma volta completa na Terra: 4h 09min 51s

ANFO: 2.700 m/s

Distância da Terra até a Lua: 39h 32 min 51s

Uma volta completa na Terra: 1h 18min 39s

Pólvora negra russa: 3.000 m/s

Distância da Terra até a Lua: 35h 35min 34s

Uma volta completa na Terra: 1h 10min 47s

Fulminato de mercúrio: 4.100 m/s

Distância da Terra até a Lua: 26h 02min 37s

Uma volta completa na Terra: 51min 48s

 

Nitrato de uréia: 4.700 m/s

Distância da Terra até a Lua: 22h 43min 8s

Uma volta completa na Terra: 45min 11s

 

Peróxido de acetona: 5.300 m/s

Distância da Terra até a Lua: 20h 08min 49s

Uma volta completa na Terra: 40min 04s

 

C1 militar/industrial: 5.600 m/s

Distância da Terra até a Lua: 19h 04min 03s

Uma volta completa na Terra: 37min 55s

 

C2 militar/industrial: 6.100 m/s

Distância da Terra até a Lua: 17h 30min 17s

Uma volta completa na Terra: 34min 49s

 

TNT militar/industrial: 6.900 m/s

Distância da Terra até a Lua: 15h 28min 31s

Uma volta completa na Terra: 30min 47s

 

C4 Caseiro: 7.000 ms/s

Distância da Terra até a Lua: 15h 15min 15s

Uma volta completa na Terra: 30min 20s

 

Dunnite: 7.100 m/s

Distância da Terra até a Lua: 15h 02min 21s

Uma volta completa na Terra: 29min 55s

 

Semtex Caseiro: 7.200 m/s

Distância da Terra até a Lua: 14h 49min 49s

Uma volta completa na Terra: 29min 30s

 

C3 militar/industrial: 7.500 m/s

Distância da Terra até a Lua: 14h 14min 14s

Uma volta completa na Terra: 28min 19s

 

Nitroglicerina: 7.700 m/s

Distância da Terra até a Lua: 13h 52min 03s

Uma volta completa na Terra: 27min 35s

 

Chemex: 7.900 m/s

Distância da Terra até a Lua: 13h 30min 59s

Uma volta completa na Terra: 26min 53s

 

PVV5A: 8.000 m/s

Distância da Terra até a Lua: 13h 20 min 50s

Uma volta completa na Terra: 26min 33s

 

C4 militar/industrial: 8.100 ms/s

Distância da Terra até a Lua: 13h 10min 57s

Uma volta completa na Terra: 26min 13s

 

Semtex militar/industrial: 8.250 m/s

Distância da Terra até a Lua:  12h 56min 34s

Uma volta completa na Terra: 25min 44s

 

PETN: 8.400 m/s

Distância da Terra até a Lua: 12h 42min 42s

Uma volta completa na Terra: 25min 17s

 

RDX: 8.600 m/s

Distância da Terra até a Lua: 12h 24min 58s

Uma volta completa na Terra: 24min 42s

  

HMX: 9.400 m/s

Distância da Terra até a Lua: 11h 21min 34s

Uma volta completa na Terra: 22min 36s

 

Octanitrocubano: 10.100 m/s

Distância da Terra até a Lua: 10h 34min 20s

Uma volta completa na Terra: 21min 02s

 

Bomba Nuclear: 800.000 m/s

Distância da Terra até a Lua: 08min 01s

Uma volta completa na Terra: 16s

 

 

Bibliografia consultada:

Departments of the Army and Air Force. Military Explosives. Washington, D.C.: 1967.

https://www.interfire.org/res_file/def_det.asp

Blaster Handbook – The Dupont Company

Explosives and Rock Blasting – Atlas Powder Company

TM 9-1300-214 – US Army Military Explosives

https://books.google.com.br/books?id=PmuqCHDC3pwC&pg=PA106&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false

Homemade C-4: A Recipe for Survival de Ragnar Benson

Homemade Semxtex: C4 Ugly Sister de Seymour Lecker

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0016003227912265

Tecnologia Pneumática Industrial – Apostila M1001-1 BR da Parker Training

https://www.nps.gov/parkhistory/online_books/npsg/explosives/Chapter2.pdf

Apostila de Pneumática PMR 2481 da Escola Politécnica da USP Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos

https://www.calculatorsoup.com/calculators/math/speed-distance-time-calculator.php

Lucas Parrini

Parrini é diretor estadual do Instituto DEFESA no RJ, estudante de criminologia e segurança pública e admirador de assuntos relacionados a combate.

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2 comentários

  1. Leônidas says:

    Todo explosivo é contundente no seu amplo objetivo. O uso dos mesmos na sua maioria nunca foi para fins totalmente benéficos. Por exemplo; quando um foguete é lançado para fora da atmosfera terrestre, outros componentes do mesmo se destacam na órbita do sistema solar ficando a flutuar por anos “lixo” espacial. O mesmo quando se desloca para fora e entra de volta na atmosfera terrestre é destruído naturalmente em pleno ar. “não sei explicar” o porque!? fogos de artifícios na minha leiga opinião nunca foram motivos de festividades, mais de sinalização ou até mesmo de auto destruição inimiga. Cito por exemplo em guerra civil, podemos fazer a distribuição dos mesmos internamente com o seu dispositivo alterado para que destrua o seu executor. Muitos destes explosivos citados aqui nesta página podemos encontrar no mercado civil e sua compra é liberada por ser de uso para outros fins, mais para um ex militar “cloro amônia acetona entre outros incluindo um espelho ou lente de óculos” é um prato cheio”.

    1. Muito bem observado!
      Eu já vejo a pirotecnica como uma ferramenta de festejo, inclusive cultural e antigo, até mesmo na China como primórdio deste uso. Não sou muito fã e nem procuro usar, mas não tenho muita resistência.

      Obrigado pela participação!

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